Por Rodrigo Kiko Bungus Ferreira *

O assunto pra coluna de hoje seria outro, mas devido a mais um incidente envolvendo pequeno delito praticado muito possivelmente por um viciado em crack (já que foi furtado um aparelho de som furréca em um automóvel velho), eu resolvi abordar esse assunto que tanto incomoda a segurança pública em nosso bairro e nossa cidade.

O problema parece ser mais grave aqui em Coqueiros, Capoeiras, Estreito, Balneário e cercanias devido à proximidade com o centro da cidade e o fácil acesso pela ponte, uma vez que no centro da cidade parece já haver uma concorrência muito grande pelos recursos que eles usam pra ter acesso à droga, e eles tem que procurar outras paragens pra obter sucesso pra conseguir dinheiro.

Noites de Sombras em Coqueiros

Faz tempo que o problema, que já havia sido foco de alerta de especialistas a quase uma década, deixasse de ser meramente de segurança pública e se tornasse uma epidemia que vitima sobretudo jovens desiludidos da vida e muitos sem perspectiva, por consequência da baixa escolaridade. É claro que há exceções, com viciados vindos da elite da sociedade e que decaíram, vindos de outras drogas, mas são minoria. De qualquer forma, todos se tornaram um problema social de segurança pública, saúde e humanitário e precisa ser abordado com muito cuidado e competência.

Coqueiros se Transformando em Casqueiros

Esse tema já foi assunto de diversas reuniões do CONSEG local, e as autoridades presentes que comentaram o assunto sempre mostraram estratégias muito equivocadas pra solucionar o problema, uma vez que não é levada em consideração a larga experiência de muita gente que já trabalha o assunto a tempo e poderia dar ótimas sugestões, e esse desinteresse das autoridades de procurarem especialistas e empregar as estratégias corretas só atrapalha e agrava o processo. Conversando com amigos que já estiveram no fundo do poço dessa droga e conseguiram sair, se recuperar e voltar a ter uma vida normal em sociedade, todos deixaram bem claro que não se deve ajudar com esmolas, alimentos ou donativos essas pessoas e que esses só procurarão ajuda ao se verem realmente em total desespero por falta de opção. Já que a internação compulsória de viciados só é possível com autorização de familiares (o que nem sempre é possível porque vivem nas ruas e sem lar) ou com a iniciativa partindo deles próprios, que devem estar em total desespero pra procurar ajuda.

Coqueiros se Transformando em Casqueiros_

Já me empenhei em ajudar algumas entidades e pessoas que levam alimento e roupas a moradores de ruas, mas hoje vejo que essa estratégia é errada em se tratando de viciados em crack, porque enquanto formos ao encontro deles pra ajudá-los, eles nunca procurarão o caminho certo pra sair das drogas.

Rodrigo Kiko Bungus Ferreira
* Rodrigo Kiko Bungus Ferreira é manezinho nascido na Carlos Corrêa em 1968, morador da Rua Bento Góia em Coqueiros, Florianópolis, no tempo que o bairro tinha muito mais ruas de chão do que pavimentadas, muito mais áreas verdes do que construídas e as águas das baías eram limpas. Biólogo formado em 98 na UFSC, surfista há 34 anos, fabricante de pranchas de surf há 26 anos, viajante desde 94, ambientalista, fotógrafo e empresário do ramo da gastronomia. Luto por tudo que amo, e tenho a total certeza de que a educação, a conscientização e os bons exemplos são os melhores caminhos pra fazer um mundo melhor pra todos.

Puerto Escondido

Viva Coqueiros! Por inteiro.

Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

Não deixe de seguir o blog do Viva Coqueiros e receber, em primeira mão, as matérias publicadas aqui. Todas as quintas, a coluna do Kiko estará na ativa, para falar de Coqueiros e região, e de temas diversos sobre a nossa vida.

O próprio Kiko, proprietário do restaurante mexicano Puerto Escondido, já passou pelo problema. Veja aqui como foi.