O resultado da eleição: segurança, segurança e segurança! – na coluna de Beatriz Kauduinski Cardoso

Por Beatriz Kauduinski Cardoso *

Em 2008, durante as discussões do plano diretor para o bairro de Coqueiros, em Florianópolis, foi realizada enquete com os moradores para saber qual dos problemas urbanos deveria ser tratado como prioridade pela gestão pública. Dentre as opções constava mobilidade, saneamento, moradia, esporte e lazer, educação, saúde e segurança.  Com a maioria dos votos, a política pública eleita para ser tratada em primeiro lugar foi segurança.

Hoje, passados seis anos, se a pesquisa fosse repetida, o resultado com certeza seria o mesmo: segurança, segurança e segurança!

Não resta dúvida que as situações de violência pioraram muito de lá para cá. A sensação de intranqüilidade piora a cada dia, propriedades perdem o seu valor, pessoas têm medo de sair à rua, alunos precisam ir acompanhados para a escola, moradores têm pedido ajuda nas redes sociais porque não sabem mais para quem apelar. Pior do que ajuda, estão pedindo socorro!

As reclamações impulsionam os debates nas redes e um desses apelos, de uma moradora do Bom Abrigo, preocupada com os furtos e arrombamentos em sua rua, me fez trazer este assunto aqui.

E vejam só! Quando comecei a por no papel as idéias para o blog veio a notícia do arrombamento da casa do Padre Élio! Como assim? Até a casa paroquial foi invadida por ladrões durante a missa!

A coisa é tão trágica que chega a ser cômica em determinadas situações, como no roubo dos fios do parque quando a cada dia tínhamos um novo episódio e agora, no furto à casa do Padre. Não parece história dos livros do Jorge Amado numa cidade pequena lá do interior gente?! Os indivíduos responsáveis por esses episódios estão zombando da polícia?

Casa Padre Arrombada - Coqueiros Florianópolis
Arrombamento da casa do Padre Élio

Mas não é para rir, pelo contrário, é para preocupar. Por certo, os fatos preocupam os moradores, mas aparentemente não incomodam as autoridades policiais que não nos apresentam nada de novo, nenhuma alternativa para o problema que se agrava a cada dia. Em 2008, a principal justificativa apresentada pelas autoridades policiais era a falta de efetivo.  Nada mudou e hoje a explicação é a mesma: falta de efetivo. Até quando a resposta será esta?

Voltemos à moradora que enviou mensagem informando residir perto de um terreno baldio, onde se escondem ladrões juntamente com craqueiros. Ela relata:

 “No dia da postagem a policia prendeu um e quatro fugiram. Já tivemos assalto à mão armada em residências aqui. Tentativas de estupros. Teve casa que em 20 dias foi assaltada 4 vezes. Mas o pessoal não quer falar a respeito porque tem medo dos preços das casas cair. Só que eu não aguento mais, porque minha casa fica nos fundos de um terreno baldio por onde os bandidos passam e se escondem no outro terreno baldio. Já moro aqui faz 30 anos. E a resposta é sempre a mesma: a prefeitura está com um processo contra os donos dos terrenos e não pode tomar providências. Estamos à mercê de drogados e dos ladrões. Os terrenos estão totalmente abandonados e fora dos padrões exigidos pela prefeitura. Já tomei todas as providências junto ao pró cidadão, secretaria do continente e vigilância sanitária.

bairro bom abrigo terreno baldio coberto
Mato no Bom Abrigo serve para esconderijo de bandidos.

 

Olha, está muito complicado. Eu não saio mais de casa por causa do medo, até pedra em cima de minha casa jogaram. Minha vizinha do lado, entraram na casa dela e roubaram quase tudo durante o dia. Meu outro vizinho, a mesma coisa.”

Vizinhos! Não bate uma frustração quando lemos um relato desses? Gostaríamos de recorrer à polícia e ter segurança numa solução. Mas não funciona e ficamos de mãos atadas, reféns do medo, prisioneiros em nossas próprias casas.

O aumento do efetivo é importante, mas deve chegar o momento em que essa bengala deixe de existir! A saída esperada acontecerá a partir da mudança de cultura de nossos gestores públicos, de assumirem a necessidade de inovar e dar prioridade para o problema.

Devemos exigir o fim da impunidade, maior efetividade nas respostas aos moradores, aproximação das polícias com a comunidade mas, acima de tudo, lutar pelo foco na educação como política pública estruturante e prioritária.

Passeata Parque de Coqueiros
Menino pede Segurança na passeata no Parque de Coqueiros Foto: Viva Coqueiros

Sim, somente com educação de qualidade teremos uma nova realidade no quesito segurança e isso acontecerá quando o resultado da enquete apontar: educação, educação e educação!


 


Beatriz Kauduinski Cardoso
* Beatriz Kauduinski Cardoso, graduada em Ciências Contábeis pela UFSC, especialista em finanças pela FEPESE/UFSC, especialista em Gestão Urbana e Habitacional pela ÚNICA/ESAG, Mestre em Engenharia Civil pela UFSC na área de Gestão Urbana. Colaboradora da Caixa Econômica Federal desde 1989, com atuação na área de desenvolvimento urbano, especialmente em habitação. Vereadora suplente em Florianópolis, liderança comunitária do Continente e secretária da Associação de Moradores de Coqueiros. Escolheu Florianópolis para morar há 28 anos, casada, mãe de 2 filhas. Morou por 3 anos em Coqueiros no início dos anos 90 e há 10 anos voltou de  vez!  Acredita nas pessoas, que cada um tem algo para contribuir com o bem de todos. Acredita na força do gesto, da iniciativa, da doação sem interesse particular. Acredita num mundo melhor! Não desiste nunca!

Viva Coqueiros! Por inteiro.

Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

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