Por Beatriz Kauduinski Cardoso *

Aqui no Bairro de Coqueiros, em Florianópolis, existe uma iniciativa nas redes sociais que visa incentivar o comércio local e tem como chamada: “Comprar em Coqueiros poupa tempo e combustível – Valorize o comércio do nosso bairro”.

Esta proposta de valorização da economia local pode ser o início de uma rede de economia solidária em nosso bairro com vistas a consolidar nossos empreendimentos locais.

A economia solidária vai muito além do incentivo do consumo solidário local, consiste numa proposta de mudanças nas relações interpessoais e com o meio ambiente, baseada na cooperação, preservação dos recursos naturais, não exploração dos trabalhadores e consumidores e responsabilidade com a comunidade local onde o empreendimento está inserido.

A construção de uma rede solidária se justifica se estiver ligada ao desenvolvimento local nos aspectos econômicos, sociais e ambientais. O conceito de freguês ou cliente  é substituído pelo conceito de parceiros.

Este modelo pode ser viável como demonstra a experiência do Banco Palmas que é um banco comunitário brasileiro, fundado em 1998 no Conjunto Palmeira, um bairro de 32.000 habitantes localizado na periferia de Fortaleza – Ceará.

Banco Comunitário
Imagem: Instituto Banco Palmas

A moeda social do Banco Palmas é a “palma”. Uma unidade de moeda local é igual a um real, e ambas as moedas podem ser trocadas livremente a qualquer hora. Incentivos locais para comerciantes e consumidores existem para usar a moeda local como, por exemplo, a oferta dos descontos aos usuários.

Banco de Palmas
Imagem: Banco Palmas

Dito isto vamos imaginar a implantação de um modelo parecido aqui em Coqueiros.

Nossa moeda poderia se chamar “coco”. Então, a cabeleireira pegaria um empréstimo em cocos e montaria seu salão, atenderia clientes e receberia em cocos. Com os cocos recebidos ela pagaria seu empréstimo e iria ao restaurante do bairro pagando em cocos. O dono do restaurante, por sua vez, faria as compras no mercadinho local e repassaria os cocos ao dono da mercearia que repassaria para seus empregados ou para fornecedores e assim por diante.

Coqueiros Bairro Florianopolis
Foto: Viva Coqueiros

 

Estaria instituída uma moeda social que visaria, sobretudo, tornar os empreendimentos locais sustentáveis. Para estimular o consumidor, os preços em coco poderiam ser reduzidos, com um desconto, por exemplo, para quem pagasse em coco ao invés de real.

Coqueiros FlorianópolisAlém de fazer com que os moradores priorizassem o consumo no próprio bairro, esta opção contribuiria inclusive para os problemas de mobilidade já que os deslocamentos de carro tenderiam a diminuir. Também estreitaria as relações entre os moradores contribuindo para a boa convivência e para melhores condições de segurança e para o fortalecimento das relações comunitárias.

Imaginem o coco circulando em nosso Bairro de Coqueiros e os moradores chegando na farmácia e perguntando: – Quantos cocos pagarei por este remédio? Ou então a dona da loja de roupas respondendo: – Esta peça custa 100 reais ou 90 cocos. Com qual moeda você prefere pagar?

Mais informações

Beatriz Kauduinski Cardoso
* Beatriz Kauduinski Cardoso, graduada em Ciências Contábeis pela UFSC, especialista em finanças pela FEPESE/UFSC, especialista em Gestão Urbana e Habitacional pela ÚNICA/ESAG, Mestre em Engenharia Civil pela UFSC na área de Gestão Urbana. Colaboradora da Caixa Econômica Federal desde 1989, com atuação na área de desenvolvimento urbano, especialmente em habitação. Vereadora suplente em Florianópolis, liderança comunitária do Continente e secretária da Associação de Moradores de Coqueiros. Escolheu Florianópolis para morar há 28 anos, casada, mãe de 2 filhas. Morou por 3 anos em Coqueiros no início dos anos 90 e há 10 anos voltou de  vez!  Acredita nas pessoas, que cada um tem algo para contribuir com o bem de todos. Acredita na força do gesto, da iniciativa, da doação sem interesse particular. Acredita num mundo melhor! Não desiste nunca!

Viva Coqueiros!

Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

Siga o blog do Viva Coqueiros e receba, em primeira mão, as matérias publicadas aqui. Todas as segundas, a coluna da Beatriz estará na ativa, para falar de Coqueiros e região, e de temas diversos sobre a nossa vida.