O Novo Plano Diretor e o seu Impacto sobre o bairro de Coqueiros

Por Beatriz Kauduinski Cardoso *

O novo Plano Diretor vigente desde janeiro de 2014 trouxe muitas mudanças para nossa cidade, poucas benéficas, muitas para pior e deixou de trazer outras tantas, que eram muito esperadas, mas que não se concretizaram.

No intuito de esclarecer situações de nosso Bairro de Coqueiros, aqui em Florianópolis, faremos uma série de relatos com algumas destas mudanças.

Primeiro relato sobre as mudanças do Novo Plano Diretor de Florianópolis

A primeira que trataremos é a Área Verde localizada na Avenida Engenheiro Max de Souza atrás do Posto Nienkotter conforme apontada na imagem a seguir:

O Novo Plano Diretor e o seu Impacto sobre o bairro de Coqueiros em Florianópolis
Fonte: Google Earth

Esta área no Plano Diretor antigo constava como Área Verde de Lazer (AVL) e, no Novo Plano, foi alterada para uma Área Residencial Predominante 2,5 (ARP-2,5) e na sua testada como Área Mista Central 6,5 (AMC-6,5).

ARP 2,5 significa que é possível construir duas vezes o tamanho do terreno com taxa de ocupação de 50% e na AMC 6,5 é possível edificar seis vezes o tamanho do terreno com taxa de ocupação de 50%. Ou seja, em breve poderemos ter um novo edifício no lugar da área verde.

Novo Plano Diretor e o seu Impacto sobre o bairro de Coqueiros em Florianópolis

 

Moradores tentaram buscar uma explicação junto ao IPUF, mas a resposta que os representantes do município deram foi que a Prefeitura não tem mais o interesse em manter esta área como Área Verde. Como assim?  Como não ter interesse em manter áreas verdes num bairro carente de arborização?

Esta resposta causa espanto, pois sempre foi solicitado que fossem aumentadas as áreas verdes e mantidas as Áreas de Preservação Permanente (APP) e Áreas Verdes de Lazer (AVL). Qual solicitação de mudança de zoneamento pode sobrepujar esta reivindicação comunitária? Como os planejadores urbanos e legisladores aceitaram um disparate destes?

Além disto, esta mudança é inconstitucional e fere as leis federais 10.257/2001 – Estatuto das Cidades e Lei 6766/79 – Lei do Parcelamento do Solo.

O fato é que não compreendemos as razões da mudança e nem tivemos explicações plausíveis.

O Instituto de Planejamento Urbano tem anunciado na imprensa que corrigirá todas as distorções do novo Plano Diretor encaminhando emendas ao Legislativo. Então teremos uma nova oportunidade de reverter a situação em 2015. Mas não podemos ficar de braços cruzados esperando. Precisamos nos mobilizar. O primeiro passo é se informar e acionar os parlamentares que elegemos.

Vamos lá?

Leia sobre a Expedição que fizemos nessa área verde

 

Beatriz Kauduinski Cardoso
* Beatriz Kauduinski Cardoso, graduada em Ciências Contábeis pela UFSC, especialista em finanças pela FEPESE/UFSC, especialista em Gestão Urbana e Habitacional pela ÚNICA/ESAG, Mestre em Engenharia Civil pela UFSC na área de Gestão Urbana. Colaboradora da Caixa Econômica Federal desde 1989, com atuação na área de desenvolvimento urbano, especialmente em habitação. Vereadora suplente em Florianópolis, liderança comunitária do Continente e secretária da Associação de Moradores de Coqueiros. Escolheu Florianópolis para morar há 28anos, casada, mãe de 2 filhas. Morou por 3 anos em Coqueiros no início dos anos 90 e há 10 anos voltou de  vez!  Acredita nas pessoas, que cada um tem algo para contribuir com o bem de todos. Acredita na força do gesto, da iniciativa, da doação sem interesse particular. Acredita num mundo melhor! Não desiste nunca!

Viva Coqueiros! Por inteiro.

Florianópolis, Santa Catarina.

 

 

5 comentários em “O Novo Plano Diretor e o seu Impacto sobre o bairro de Coqueiros

  1. Povos desenvolvidos ampliam suas cidades ” para os lados” e por aqui os nossos ” DESgovernos ” entopem ruas autorizando obras aonde não existe transporte e infra-estrutura… Assim é fácil prever o nosso futuro…

  2. Desculpe-me, mas dizer que “não compreendemos as razões da mudança” é, no mínimo, muita ingenuidade. Estão concretando a cidade, simples assim. Por quê? Porque dessa forma rola um dinheirinho pros “amigos”. Quando o governo do município aprova uma mudança dessas, por pressão dos lobistas das construtoras, todos saem ganhando, exceto, é claro, os moradores do local. Corrupção não é privilégio deste ou daquele partido, é sistêmica. A única coisa que pode freá-la é a pressão popular. Agora pergunto: onde estavam todos vocês, indignados “cidadãos de bem”, quando aquele “bando de vagabundos e desocupados” foram protestar em frente à câmara de vereadores na capital, contra exatamente a votação RELÂMPAGO desse plano diretor?
    As coisas em Florianópolis ocorrem por debaixo dos panos então é bom se manter bem informado. Recentemente estive na cidade de Braga, ao norte de Portugal, e lá, na praça central, havia banners imensos convocando a população a discutir as mudanças no plano diretor da cidade. Parece Floripa, não?
    A próxima destruição é na Ponta do Coral.
    E, finalmente, fazer protesto do sofá de casa através do facebook NÃO ADIANTA NADA!!!

  3. FIZ MEU PLANO MESMO…. ESTOU INDO EMBORA DESSA CIDADE DOMINADA POR ABUTRES (VEREADORES, PREFEITO E CONSTRUTORAS QUE SÓ QUEREM CONSTRUIR PRÉDIOS DE LUXO PARA VENDER PARA SEUS AMIGOS ABUTRES DE OUTROS LUGARES. FLORIPA MORREU!!!

  4. UM ABSURDO, O QUE ADIANTOU FAZER PARTE DE ETERNAS REUNIÕES COMUNITÁRIAS, PREFEITURA NOS BAIRROS, SÓ BALELA, POR QUE A NOSSA VOZ NÃO É OUVIDA MESMO.
    DE SACO CHEIO COM ESTA ADMINISTRAÇÃO. FLORIANÓPOLIS NUNCA ESTEVE EM TÃO PÉSSIMAS MÃOS COMO AGORA.

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