Novo Plano Diretor: mudanças na Praça da Ilhota em Coqueiros

Por Beatriz Kauduinski Cardoso *

Entre um assunto e outro aqui no blog seguimos discorrendo sobre as mudanças do Plano Diretor e o impacto delas em nosso Bairro de Coqueiros, em Florianópolis.

O assunto da vez é a nossa Praça da Ponta da Ilhota. E a notícia não é boa, pois a mudança no Plano Diretor foi para pior.

A área é propriedade da União Federal e foi cedida ao município de Florianópolis para execução de praça e marina pública em decorrência de um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público, pois um morador cometeu um crime ambiental na década de 90 e, por isso,  assumiu a obrigação de construir a praça e fazer sua manutenção.

Praça Ponta da Ilhota
Imagens: Hilton Geviéski

A praça já está instalada e gradativamente vem sendo apropriada pela comunidade.

Praça Ponta da Ilhota Google Earth
Vista aérea da Praça Ponta da Ilhota e entorno Imagem: Google Earth

Ocorre que esta área, anteriormente classificada como área Verde no Plano Diretor de 1997, foi zoneada no Novo Plano Diretor de 2014, como Área Mista Central – AMC, zoneamento que permite que seja construído empreendimento comercial e/ou residencial de até 6 andares, contrariando a cessão federal,  desvirtuando o uso da área e a vocação do local.

Mapa Praça Ponta da Ilhota
Zoneamento indevido no Plano Diretor atual

 

A mudança é curiosa, pois o zoneamento como está posto, contraria toda a boa técnica urbana, nega a reivindicação da comunidade nas discussões do plano diretor e beneficia apenas os proprietários de pequena área vizinha, cujo gabarito anterior era muito menor e mais restrito.

Isto nos deixa de cabelo em pé e nossos pensamentos são invadidos pela seguinte pergunta: – Se sabiam de todas estas informações porque permitiram a mudança? Propositalmente, não vamos responder para deixar que cada um tire suas próprias conclusões.

Praça Ponta da Ilhota
Foto Luiza Filippo

 

Embora seja difícil construir na área onde hoje está a praça, devido ser terreno público e pelas características ambientais, precisamos nos manter vigilantes.

Então, boooorara gente!  Vamos à praça tomar conta do que é nosso! E quando tivermos oportunidade, falar aos quatro ventos que queremos todo o  terreno mantido como Área Verde, sem quaisquer edificações!


 

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De Lixão à Praça Ponta da Ilhota

Galeria de Fotos da Praça Ponta da Ilhota

Cobertura do Piquenique na Praça Ponta da Ilhota em Coqueiros


 

Beatriz Kauduinski Cardoso

* Beatriz Kauduinski Cardoso, graduada em Ciências Contábeis pela UFSC, especialista em finanças pela FEPESE/UFSC, especialista em Gestão Urbana e Habitacional pela ÚNICA/ESAG, Mestre em Engenharia Civil pela UFSC na área de Gestão Urbana. Colaboradora da Caixa Econômica Federal desde 1989, com atuação na área de desenvolvimento urbano, especialmente em habitação. Vereadora suplente em Florianópolis, liderança comunitária do Continente e secretária da Associação de Moradores de Coqueiros. Escolheu Florianópolis para morar há 28anos, casada, mãe de 2 filhas. Morou por 3 anos em Coqueiros no início dos anos 90 e há 10 anos voltou de  vez!  Acredita nas pessoas, que cada um tem algo para contribuir com o bem de todos. Acredita na força do gesto, da iniciativa, da doação sem interesse particular. Acredita num mundo melhor! Não desiste nunca!

Viva Coqueiros! Por inteiro.

Florianópolis, Santa Catarina.

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4 comentários em “Novo Plano Diretor: mudanças na Praça da Ilhota em Coqueiros

  1. Realmente devemos lutar pela manutenção e preservação da Praça, mas não para que ela sirva para mijódromo e cagódromo para cães, uma dia desses
    uma família chegou para fazer um piquinique com sua filhinha de aproximadamente uns dois anos,
    mas não conseguiram, tiveram que se retirar bem antes, porque os cães não paravam de correr em volta e por cima
    da toalha que forrava a grama…,e seus donos achavam aquela cena bizarra a coisa mais natural do mundo…
    Em tempo: Amo cães, mas os cães são eles e não nós…

  2. Já usava aquela área como pesqueiro de camarão na minha infância e sempre imaginei aquela área como pública uma vez que não passava de um baixio lamacento com um muro margeado pelo costão rochoso. Acho difícil agora que a área virou uma praça seja permitido seu uso particular, mas em se tratando de Brasil tudo é possível e cabe a nós ficarmos de olho e atentos. Bom corrermos pra por uma placa com nome na praça e deixarmos registrado.

  3. Concordo que devemos nos munir de informações e registros. Também acredito que o MP acolheria um reivindicação dessas. Eles podem tb receber solicitações para aprofundar investigações. Creio que é a 28 Promotoria de Justiça da Capital.

  4. Recomendaria a todos que usufruam intensamente da área, mas sempre fazendo registro com fotos, que, ficando guardadas nos arquivos dos usuários, seriam usadas, quando necessário, como prova da sua utilidade comunitária.
    Devemos mostrar que é uma área inerentemente de utilidade publica e o MP acolheria facilmente uma reivindicação dessas.
    Vamu q vamu!

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