O drama dos angolanos, deficientes visuais, moradores de Coqueiros

O Viva Coqueiros foi convidado a fazer parte de uma mobilização, e convida a nossa comunidade a conhecer a comovente história dos angolanos, deficientes visuais, moradores do bairro de Coqueiros, em Florianópolis.

Sua participação é muito importante e pode fazer a diferença na vida dessas pessoas.

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Nossa matéria inicia com o relato do médico veterinário, Dr. Marcos Alborghetti Evers, proprietário da Casa di Pet, a clínica veterinária que está localizada no comércio do posto de gasolina de Coqueiros.

Este é Bernardo, um amigo que conheci aqui no bairro Coqueiros, em Florianópolis. Ele é angolano, teve o antebraço amputado, rosto desfigurado e perdeu parte da audição, decorrente de uma mina terrestre, ficando cego dos dois olhos.
Quando me aproximei dele pela primeira vez para orientá-lo na rua, fui recebido com um sorriso e um bom dia que senti no coração sua energia!

Ficamos amigos, pois ele frequenta uma casa lotérica ao lado do meu trabalho, sempre que o vejo vou ajudá-lo a atravessar a rua, mais para conversarmos, pois ele se vira bem na rua. Sempre quando eu o abordo ele está sempre sorrindo e feliz, uma lição e um exemplo de vida, pois com todas as dificuldades que tem, sempre está agradecendo a Deus, um homem de muita fé. Esta semana, falando com ele, queria se despedir, pois tem que sair da casa onde mora com mais 4 amigos com as mesmas dificuldades, aqui no bairro até o dia 17/04, onde o governo de Angola através do consulado arcava com suas despesas com um programa, como aluguel e faculdade, pois todos estudavam.

Bernardo veio para o Brasil analfabeto, hoje estava cursando administração, mas por força maior o governo angolano suspendeu os benefícios. Bernardo e seus amigos estão à procura de um lugar para ficar, com a condição de alugar direto com o proprietário do imóvel, pois ele não tem um fiador, segundo ele um quarto já estava em bom tamanho, também queria uma oportunidade de trabalho, pois não tem mais recursos.

O mais incrível desta história é que em momento algum da conversa notei nenhum sentimento de raiva ou revolta, sempre um sorriso nos lábios, na verdade mais um desabafo do que um pedido, pois não fez menção de pedir nada, nem um centavo!
Hoje tomei a iniciativa de levar este caso à frente, para pedir alguma ajuda para este Amigo, alguém que conheça uma autoridade, um empresário, que contribua de alguma forma, sendo um emprego, ajuda financeira e também legalizar a situação no país, segundo o Bernardo, isto já está em tramites na defensoria pública, aguardando o protocolo.

—– > Quem é daqui faz assim

Estamos arrecadando com os amigos qualquer valor para ajudá-los nas despesas e porventura num aluguel. Abaixo, a carta que Bernardo me entregou com o título “uma pequena história”, ao meu ver, uma grande história de um grande homem.

Leia a Carta de Bernardo, que relata a situação em que estão vivendo.

Carta aberta do angolano Francisco Bernardo Luis, morador do bairro de Coqueiros

UMA PEQUENA HISTÓRIA

FRANCISCO BERNARDO LUIS, filho de BERNARDO LUIS E DA MARIA JOSÉ CAPUTO NATURAL DE ANGOLA.

No final de 2000, um programa social mantido pela Fundação Fundo Lwine, ministrada pela sua excelência primeira-dama angolana passou a recrutar jovens cegos para fazer cursos, de habilitação, reabilitação no Brasil.

A disputa pelas poucas vagas foi muito acirrada e, enfim, em abril de 2001, cheguei ao país brasileiro, contemplado pelo mesmo programa social da primeira-dama de Angola.

Por infortúnio pessoal, que desembarquei com uma bagagem repleta de sonhos e de esperanças, isso exigiu de mim esforços para superar as dificuldades para recolher adiante as recompensas reservadas para mim mesmo.

Na chegada, fui acolhido pela Fundação João Teodoro Araújo, localizada na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. Depois de quatro meses lá, em 23 de agosto de 2001, segui viagem até Florianópolis, na capital de Santa Catarina, e fui acolhido com toda dignidade que merecia na Associação Catarinense para Integração do Cego (ACIC).

Eu não sabia ler e escrever, fui alfabetizado aqui, foi maravilhoso, porque o meu maior sonho era estudar e concluir todas as etapas. Vale destacar que lá, além do braile, aprendi o sorobã, as aulas de orientação e mobilidade, atividade da vida diária, a informática, frequentei o ensino normal, concluí o ensino fundamental, o médio no Centro de Educação para Jovens e Adultos.

A partir do momento em que saí da cidade mineira para o lugar acima já indicado, a Fundação Eduardo dos Santos (FESA), através do seu presidente e consulado-geral de Angola no Rio de Janeiro doutor Esmael Diogo da Silva, passou a tutelar-me.
Permaneci sobre tutela da FESA até 2009 quando da exoneração do então consulado geral de Angola doutor Esmael Diogo da Silva.

Foi a partir daí que o INABE assumiu a continuidade dos meus estudos.
Hoje estou cursando curso superior, faltando apenas dois anos e meio para concluir etc.

Vale informar, em relação a minha faculdade, devido as retardanças que tem se constatado em efetuar o pagamento das minhas matrículas, é habitual iniciar as aulas com um a dois meses de atraso, ou até mesmo perder o semestre letivo, motivo pelo qual fez com que ainda não terminei a minha faculdade.

Atualmente, porém, esta não pode mais me manter no Brasil. Eles alegam crises financeiras.

Para terminar, nesses 13 anos nunca mais fui para Angola, o Brasil já é a minha segunda casa, aliás me sinto mais brasileiro do que propriamente Angolano.

Aqui eu não preciso de ninguém para fazer as minhas coisas, sou totalmente independente, o Brasil me faz muito feliz.

Por este motivo, peço as autoridades brasileiras para que me concedam o visto de permanência, para concluir os meus estudos e buscar outros conhecimentos gerais.

Atenciosamente: FRANCISCO BERNARDO LUIS.

Vídeo entrevista com os angolanos


Para ajudar, basta entrar em 
contato com o Dr. Marcos: 
9947-7483 
Marcos Alborghetti Evers.

Vamos lá, pessoal? Nós, do Viva Coqueiros, iremos ajudar, claro!

Viva Coqueiros! Por inteiro,

Florianópolis, Santa Catarina.

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2 comentários em “O drama dos angolanos, deficientes visuais, moradores de Coqueiros

  1. Amigos!!!
    Agradeço desde já o empenho das nossas amigas Luciana e Luiza em publicar esta linda matéria!!!
    E também aos Amigos que estão nos apoiando em divulgar!!!
    Muito obrigado de coração a todos!!!

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