Trânsito em Coqueiros: asfalto novo, bom senso e educação

Por Dalton Malucelli Jr. *

Oba, asfalto novo no bairro de Coqueiros, em Florianópolis! Zummm,zummm,zap,crichhhhh! Plaft, pluft… chama o SAMU….atropelaram um aqui…. Crichhhhh! Plaft, pluft mais outro ali. Temos novidades, uma boa para nossos automóveis que estavam sofrendo com um asfalto pra lá de remendado, uma agonia mas, tirando as críticas, não há como dizer que ficou pior do que estava.

Acidente Coqueiros Florianópolis

 

Espero sinceramente que o trecho Itaguaçu – Abraão seja contemplado com essa belezura. Tenho certeza de que não ficaremos de lado, afinal não se faz um serviço pela metade. Coqueiros é um conjunto de praias: vai do Saco da Lama até o Abraão, somos um só time, mas esse é papo para outras mesas. Nessa, hoje, quero chamar atenção para os insandecidos, mal educados, desafiadores, motoristas e pedestres que travam uma batalha nas ruas de Coqueiros.

Voltemos aos pluft, plaft, zummm… crash.., pois está lá o corpo estendido no chão. O povo junta e a opinião rola solta. – Culpa do governo, crava Dona Maria. – Da prefeitura, decreta o motoqueiro. – Sei não, acho que é da polícia, arrisca o homem encostado no muro.Mas vejamos as câmeras de segurança, o que gravaram nos últimos meses? Opa, rapidinho já existem algumas verdades: se de um lado temos um caçador louco por abater uma presa, do outro, um atrevido mico leão que debocha e testa a pontaria do predador.

Travadas diariamente com pretensos vencedores e vencidos, estas disputas agonísticas na verdade resultam dois perdedores, fruto de uma população estressada pelos problemas e pressões do dia dia, mas acima de tudo indivíduos mal educados e egoístas, que não admitem dividir o espaço público com seus semelhantes.

– “É meu, sou eu, eu primeiro, sai pra lá…”. Hoje o que acontece na prática nesta relação é um pedestre kamikase e um motorista Barão Vermelho. O primeiro joga-se sobre os carros, achando que aquele, em qualquer circunstancia, irá parar. O segundo ou freia sem nenhum aviso, causando colisões, ou ignora tal sinalização. Resultado: confusão, atropelamentos e mortes. – Ah, mas o motorista não para, grita um… Calma, além dos apressadinhos há de se ressaltar que por estar em espaço reduzido, campo de visão limitado, pedestres afoitos ou até não querendo provocar uma colisão traseira, algumas vezes parar é sinônimo de acidentes. Nesses casos, eu diminuo a velocidade e levanto a mão num gesto de – “O meu chapa, não deu, desculpa aí”.

—> Quem é daqui faz assim: faixa de pedestres

Mas são situações que acontecem e cabe ao condutor avaliar cada caso. Sempre pensando na segurança dos envolvidos. A verdade é que na grande maioria das vezes, com um pouco de vontade, com um olhar mais cooperativo e, principalmente, não enfiando o pé no acelerador, é possível ver um pedestre ávido por atravessar, daí seguindo as normas de segurança, sinalizando e, junto a uma boa dose de bom senso, podemos parar e dar passagem.

Pedestres Coqueiros Florianopolis
Alerta máximo com os horários de saída e entrada dos alunos das escolas

 

Aliás, lembrei, essa é uma boa hora para usar o pisca alerta já que aquele outro, como chama? Ah, o pisca–pisca, bom, este coitado vive esquecido, ninguém usa. Na real, neste mundo de manuais, decorá-los é desnecessário, basta seguir um conselho bem antigo: “Faça aos outros o que gostaria que fizessem por ti”, ou esquece que além de condutor é também um pedestre ou vice versa .Na real, se é vice ou versa, depende do preço da gasolina, já que nossos serviços de transportes coletivos são pouco atrativos. Os que chacoalham feito gado e dão um passinho atrás na lata de sardinha que o digam.

Faixa de Pedestres Coqueiros Florianópolis

Bom, onde eu estava? Sei, no assunto consideração. Pois bem, então, se deseja gentileza e consideração porque não oferecê-las? Tente e vai ver que elas retornam rapidinho. Mas esteja preparado, pois algumas pessoas vão se assustar, vão achar trata-se de um candidato a cargo eletivo, afinal não estão acostumadas, mas tudo é questão de tempo.

O pedestre pode retribuir o gesto de boa vontade com paciência e atenção, dando passagem aos motorizados e não se lançando, irresponsavelmente, sobre a faixa de pedestres. Tudo é uma questão de troca que pode começar com um agradecimento, um leve aceno ao motorista que parou seu veículo, um gesto que tem que ser encarado, não como lei, mas como espontaneidade. Um  – “Valeu, obrigado”.

Outro fator a ser compreendido são as características urbanísticas de Florianópolis, Aqui não é Brasília, nossas quadras são pequenas, o que faz com que a cada 50 metros tenhamos uma faixa. Estas, por sua vez, travam o fluxo de veículos nas regiões centrais e exigem maior atenção e cooperação entre as partes. Na real, é um para e anda que, confesso, dá vontade de largar o carro no meio da rua. Agora tem outra, por favor, faixa de segurança não é passarela para desfile. Também não precisa correr 100 metros livre, pode caminhar normal em Coqueiros, mas a passos de tartaruga soa como um deboche e falta de respeito e, consequente, de educação. Uma falha tão grave quanto aquele motorista que você xingou ao vê-lo se negar parar pra você passar. Depois, não adianta ficar exigindo respeito. Gentileza gera gentileza, uma via de mão dupla. Ia esquecendo, temos uma prática muito popular, tipo roleta russa: atravessar as ruas transversais (as esquinas) sem olhar se o automóvel vai dobrar: o pedestre vem pela calçada e segue em frente. Olhe para os dois lados e, não vindo ninguém, atravesse a rua. Tem mais uma coisa:  nunca esqueça de se mostrar aos motoristas um  “Olha, eu tô aqui!”. Lembre-se de que o para choque do carro é mais duro que sua cabeça e vai perder todas se quiser bater de frente.

transito-coqueiros-bairro
Carro estacionado na calçada, roubando o local de passagem dos pedestres

 

Quanto aos motoristas que reclamam de lombadas e redutores de velocidade é bom que eu traduza: redutor de velocidade significa reduzir a velocidade, entendeu? É um artifício para fazer você andar mais devagar, estão dizendo: “O meu chapa, vai mais devagar, aqui não é pista de corrida, tem pessoas por perto, pode matar uma delas”. Agora, se andasse no limite de velocidade, menor seria o número de lombadas e chegaria mais rápido. E já pararam para pensar que se fossemos conscientes e respeitosos simples faixas pintadas no chão e placas de alertas seriam suficientes para vivermos em paz no trânsito? Pensa só, não teríamos os redutores de velocidade, não ficaríamos naquela angústia de ver no painel qual é a velocidade marcada, não bateríamos com a cabeça no teto ao esquecer e passar sobre uma lombada. Iriam ser várias aporrinhações a menos e dirigir seria mais prazeroso. Aliás, hoje meu prazer é zero. É isso, vamos aproveitar enquanto temos uma pista de rolamento legal e sem a buraqueira das concessionárias água, luz e outros, além das construtoras pois, acredite, elas virão. Por essas bandas é assim: um faz, quatro desfazem, e segue o velório. Mas, devagar motorista, senão o morto fica na primeira lombada e o outro na faixa. Até a próxima!  Grande abraço a todos e fiquem bem.


Dalton Malucelli Jr.

* Dalton Heros Malucelli Jr 53 anos, morador do Bairro do Bom Abrigo desde 1970, com 7 anos de idade onde estou aqui, firme. Cursei Engenharia Agronômica, tive 15 anos de lojas de calçados e há uns 10 anos atuo na construção civil. Mas, pra falar a verdade, não estou muito interessado em mostrar meu currículo, me defino como cidadão florianopolitano, morador do Bairro de Coqueiros, em Florianópolis, mais especificamente na praia do Bom Abrigo. Sou um cidadão como outro qualquer, que busca cumprir seus deveres, mas exige seus direitos. Não sou e nem pretendo ser dono da verdade, mas o que escrevo é fruto das minhas experiências, e acredito que de muitos vizinhos já que viveram uma realidade comum. A grande questão está na maneira que cada um enxerga essa realidade, e a sua visão de solução é o que muitas vezes provoca discórdias, mas, acredito, se o objetivo for o bem comum, não existem barreiras. Portanto, não espero ser unanimidade, seria pretensão demais, mas criar a discussão, chamar a atenção para certos eventos, ser um elemento ativo na busca de soluções é dever do cidadão. Abraços a todos.

Viva Coqueiros! Por inteiro.

Florianópolis, Santa Catarina.

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10 comentários em “Trânsito em Coqueiros: asfalto novo, bom senso e educação

  1. Veja só:
    – As tampas dos bueiros já começaram a ceder. Já estou procurando uma câmara de borracha para calçar a tampa e evitar o barulho da batida dos ferros quando um carro passar por cima.
    – Moro de frente à Eng. Max., vocês não imaginam os abusos que ocorrem durante a madrugada na “avenida”. Ontem, Domingo 17, teve até teste de moto de alta cilindrada.
    – Devíamos pedir à prefeitura para que fosse estendido à Coqueiros, o Projeto “Zona 30” que será implementado em Sto Antonio de Lisboa e no Ribeirão da Ilha, que seja implementado nas avenidas Eng. Max de Souza e na Des. Pedro Silva, talvez na João Meirelles. Nestas ruas o comércio e o transito de pedestres já justifica melhor controle da velocidade dos veículos.

    1. Olá, Cleber. Você está com toda a razão. Boa análise e argumentos. Vamos nos informar sobre o projeto Zona 30 e lançar as informações para todos ficarem por dentro. Abraços!

    2. Cleber ,andando na R. Fúlvio Aduci ,frente ao meu banco (UNICRED) uma obra que foi feita também recentemente ….observei que a massa areia cimento que colocaram ao redor das tampas sarjetas e bocas de lobo está se esfarelando.justamente por falta de cimento. O que ocorre é que as empresas sub locam este tipo de serviços que consideram pequenos para outras onde ,como vemos aqui em coqueiros tratar-se de funcionários de fundo de quintal…despreparados tecnicamente ,em matéria de segurança do trabalho e ainda querem economizar no material…resultado ..Porcaria à vista. Já alertei a secretaria Continente ,inclusive enviando fotos.
      Quanto à velocidade o Secretário de Obras Rafael ,mostrou em uma reunião que estive presente um projeto que transforma a via em coqueiros em duas pistas (ida e volta) estacionamento de um lado e calçada e ciclovia do outro.O Objetivo segundo ele é também diminuir a velocidade além de todos os outros benefícios que proporcionarão. Agora resta pressionar para que estas mudanças se façam neste século…Abraço…

  2. Boa Luciane.E nossos taxistas com portas abertas para a rua e para a calçada e parados sobre a faixa de segurança ( Art 181 )?Educação e bom senso passam muito longe de alguns motoristas.Temos o CBT,é para todos.

  3. Olá Luciane…bem lembrado ..ali é mais um dos lugares que ocorre o tal do “Eu primeiro”…E este comportamento é visto não só por estas bandas mas pelo Brasil…
    Em alguns países isso não acontece,não que o sujeito seja um exemplo de educação ..mas ele sabe que se parar imediatamente vai aparecer uma autoridade e multá-lo.
    Então além de consciência ,necessitamos de um agente de trânsito especialista em apertar os parafusos soltos…Multa e orienta…aí aprende….Abraço e fique bem…

  4. De acordo, Dalton. Mto bom.
    Sobre a revitalização da Max de Souza, ela continua, agora com a implantação das tampas dos bueiros.
    Ocorre que os empregados da empreiteira que está realizando os serviços continuam a operar fresadoras e britadeiras sem óculos de proteção, e sem uniformes. E se um se acidentar?
    Óculos é um EPI – Equipamento de Proteção Individual, que, por norma, deve obrigatoriamente ser usado em condições de trabalho como estas.
    Então, além do eventual atropelamento, podemos ter acidentes de vista com os empregados em trabalho na via.
    E a fiscalização da Prefeitura?

    1. Meu amigo Hilton,sempre atento…
      Vejo que ocorre os tais dos acabamentos ,inclusive bueiros nos locais onde o asfalto cedia possivelmente para corrigir infiltrações ,com a palavra a secretaria de obras…. e quanto á equipe ,agora utiliza botas, mas o óculos somente quando vão à praia….
      Aí como bem frisou a fiscalização do órgão gestor e responsável pela obra é fundamental para não achar sarna para se coçar e eventuais acidentes sejam pagos pelos contribuintes.
      grande abraço,fique bem e sempre alerta.

  5. parabéns, é um levantamento do que se vê diariamente, obrigado por falar por nós. O mal dos humanos é a pressa e a falta de consideração pelo outro……e prova-se que não chega primeiro, nem é melhor, nem …..

    1. Obrigado Ana ,tento expor aqui as minhas impressões que acredito serem de muitos…e como me cederam este espaço precioso vamos tentando tocar as pessoas despertando seu lado humanitário,que sei que tem ,mas anda meio esquecido ali no cantinho do coração…Abraço e fique bem…

  6. Poderiam ter fotografado a falta de educação e excesso de preguiça que acontece diariamente em frente a Padaria Princesinha. Carros estacionados sob a placa de proibição. Será que as pessoas pensam que ligar o pisca-alerta torna o carro delas invisível?!? Eu não sou daqui, mas jamais estaciono em lugar proibido. Nunca vou atrapalhar o trânsito por preguiça de caminhar alguns passos a mais.

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