Coqueiros e a possível marcha pela segurança

Eu ontem tive um sonho. Sonhei que Coqueiros fazia uma linda caminhada. Juntos, a comunidade de Coqueiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal de mãos dadas, ordeiramente, como toda caminhada tem que ser.

Por Dalton Malucelli Jr. *

Pessoas de camisas brancas, unidas, e entoando canções. Na minha curiosidade, e até procurando juntar-me ao grupo, ao me aproximar percebi que não eram melodias de amor ou alegria, eram canções de clamor, de desespero, um pedido de socorro. Pensei – Puxa, a que ponto chegamos.

Passeata Parque de Coqueiros
Passeata Parque de Coqueiros Foto: Viva Coqueiros

 

Moramos na Ilha da magia, das bruxas de Franklin Cascaes, na ilha de casos e ocasos. Sim, casos e ocasos que relatam não mais as peraltices das moradoras de Itaguaçu com suas vassouras, mas as daqueles que voam empunhando armas.

Os números são alarmantes, a sensação de insegurança brutal. Hoje, para sairmos de casa, nos despimos de qualquer objeto de valor, as recomendações são para que nenhum objeto que brilhe aos olhos do meliante deve ser utilizado. Perdemos o encanto, a luz. Temos como explicação das autoridades e entendidos a questão das drogas, da miséria, da falta de oportunidades, da falta de valores, da maldade inerente ao ser humano. Mas todas podem ser resumidas em uma palavra gritada pela população: impunidade. Impunidade por absoluta falta de leis que venham a garantir nossa segurança. E todos nós, moradores e agentes de segurança, somos reféns desta talzinha. Fruto da irresponsabilidade de legisladores que transformaram nosso código penal em uma ópera bufa. Aliada a isso, a ausência de pressão dos órgãos e entidades oficiais que deveriam lutar efetivamente para aprovação de leis que viessem a punir e recuperar o infrator. Mas parecem que estão mais preocupados com a tal da política partidária. A polícia prende, a lei solta. E quem faz as leis? Deputados federais e senadores (sim, aqueles que você elege com seu voto), aqueles que estão lá para defender seus interesses, mas defendem os deles.

Passeata Parque de Coqueiros
Passeata Parque de Coqueiros Foto: Viva Coqueiros

 

Precisamos de leis, leis de verdade, às veras, como dizíamos em nossas brincadeiras de crianças. Além de lei, temos que ter policiais nas ruas. O policial de bairro, aquele que se torna seu amigo, você sabe que estará rondando as ruas quando você for trabalhar. Para isso, são necessários investimentos. Mas quanto custa? Me disseram que é muito caro, que o governo não tem dinheiro. Sim, caro é, mas em relação ao que?

Guarda Municipal em Coqueiros Florianopolis
Guarda Municipal no Parque de Coqueiros em Florianópolis. Foto: Viva Coqueiros

 Curta a página do Viva Coqueiros no Facebook

Vejamos, caro…, caro em relação ao gasto com propaganda governamental, em relação ao gasto com comissionados? Troquemos dois policiais por um comissionado. Troquemos três policiais por um secretário regional ou de estado num destas secretárias de araque. Troquemos 100 policiais por gabinetes suntuosos e carros oficiais e mordomias palacianas. Vamos trocando os gastos desnecessários dos governos na base do equivalente soldado. Podemos fazer o mesmo em equivalente médico ou professor, tudo uma questão de proporção matemática X para Y. Ou seja, um milhão em propaganda supérflua, quantos soldados ou viaturas conseguimos comprar e manter? E sabemos que nessa desabalada onda de desperdício e falta de foco, muitos governantes e funcionários públicos, se fossem tirar do próprio bolso, comeriam no bandejão. Como é o povo que paga, é em hotel de luxo que vão se refestelar. O governo embriaga, o poder embriaga e vicia.

Anjos da Guarda de Coqueiros cuidam do bairro de bike

Uma marcha do Abraão até o Parque de Coqueiros

Preparada com antecedência em moto-som, panfletos e cartazes nos lugares públicos, redes sociais,  no blog www.vivacoqueiros.com, nos jornais,  20 dias de farta propaganda, tipo formiguinha. Com um só grito “Coqueiros, segurança já!”.

Um movimento de vizinhos onde todos podem participar, um ato de pura cidadania.

Mas, Dalton, quem te deu a ordem de convocar uma caminhada? – Ué, e precisa alguém para dar ordem, estamos numa ditadura ? E tem outra, eu não dou ordem, eu dou opinião e, olho para minha situação, no que minha família está se transformando, no medo que tenho por eles e por mim. Vejo meus vizinhos e sinto o mesmo, e outros mais distantes e amigos, parentes  conhecidos, e tudo o que vejo é impunidade e falta de ação contundente da população, e omissão de autoridades e legisladores.

Jovem é agredido e roubado na Praia de Itaguaçu em Coqueiros

Há quanto tempo vivemos nessa insegurança em coqueiros e quantas vezes fomos às ruas exigir e cobrar? Não adianta ficar sentado no sofá em frente ao computador, ou no telefone, exigindo direitos. Então, venha pra rua, convide seus vizinhos e uma vez, caminhe exigindo segurança, exigindo sua vida plena. Não esta que está aí,de prisioneiro do medo perpétuo. Sei que falo em nome de meus vizinhos, em nome daqueles que, como eu, sofrem violências morais e físicas. Em nome dos policiais que arriscam suas vidas para prender e tem que ver o marginal sair pela porta da frente, jurando-o de morte. Em nome de senhoras que tem suas bolsas arrancadas e muitas delas arrastadas pela violência da ação.

Senhora sofre sequestro relâmpago em Coqueiros

Em nome de comerciantes que  investem, geram empregos e pagam suas taxas. Em nome das nossas crianças que estão traumatizadas, com medo de assaltos.

Moradora de Coqueiros é agredida e roubada no bairro

Em nome da minha esposa e dois filhos pequenos que foram arrancados do carro com arma apontada na cabeça. Em nome daqueles que não podem trabalhar ou viajar sossegados, pois não sabem se terão a surpresa de terem suas casas violadas e suas famílias agredidas. E finalmente em nome daqueles que pagam seus impostos e tem o direito constitucional do Estado de prover-lhes segurança.  Serei curto e grosso: Quero segurança. E já! Coqueiros exige!

Dalton Malucelli Jr.

 

* Dalton Heros Malucelli Jr 53 anos, morador do Bairro do Bom Abrigo desde 1970, com 7 anos de idade onde estou aqui, firme. Cursei Engenharia Agronômica, tive 15 anos de lojas de calçados e há uns 10 anos atuo na construção civil. Mas, pra falar a verdade, não estou muito interessado em mostrar meu currículo, me defino como cidadão florianopolitano, morador do Bairro de Coqueiros, em Florianópolis, mais especificamente na praia do Bom Abrigo. Sou um cidadão como outro qualquer, que busca cumprir seus deveres, mas exige seus direitos. Não sou e nem pretendo ser dono da verdade, mas o que escrevo é fruto das minhas experiências, e acredito que de muitos vizinhos já que viveram uma realidade comum. A grande questão está na maneira que cada um enxerga essa realidade, e a sua visão de solução é o que muitas vezes provoca discórdias, mas, acredito, se o objetivo for o bem comum, não existem barreiras. Portanto, não espero ser unanimidade, seria pretensão demais, mas criar a discussão, chamar a atenção para certos eventos, ser um elemento ativo na busca de soluções é dever do cidadão. Abraços a todos.

Viva Coqueiros! Por inteiro.

Florianópolis, Santa Catarina.

Siga o blog do Viva Coqueiros e receba, em primeira mão, as matérias publicadas aqui.

É permitida a reprodução total ou parcial deste conteúdo desde que preservada a fonte: http://www.vivacoqueiros.com

Deixe uma resposta