Muro do mirante da Praia das Palmeiras. O muro da vergonha.

Por Dalton Malucelli Jr. *

Muro do mirante da Praia das Palmeiras, no bairro de Coqueiros

Muro do Mirante da Praia das Palmeiras

Muro de Berlim, Grande Muralha da China, essas simples “paredes” são famosas e tem muita história por trás. Além desses marcos, outras muralhas impressionantes foram erguidas ao longo dos anos pelos mais diferentes motivos. Confira:

  • Muralha de Adriano
  • Grande Muralha da Croácia
  • Grande Muralha da Índia
  • Barreira separatista israelense em West Bank
  • Grande Muralha da China
  • Muro de Berlim
  • As Muralhas de Constantinopla
  • Muro da cidade de Conwy
  • Muro do Mirante das Palmeiras Localizado na divisa entre o Bairro Bom Abrigo e a Praia das Palmeiras na Rua Eduardo Nader, dona de uma das vistas mais espetaculares de Coqueiros. Visão que encanta estrangeiros e nacionais que por aqui passam e que deveria ser colírio para os moradores do bairro.

Se nos anos 70 a 90 o local servia para as crianças da região como palco de aventuras, pesca e lazer, hoje os propósitos são menos românticos e edificantes. Mas nossa imponente muralha revela tristes medidas, são 10m de omissão, 2 metros de inoperância e10cm de respeito.

Estas são as reais medidas, mas apenas traços do que o cidadão espera do poder público . O muro da vergonha revela o estado de abandono em que se encontra, revela a omissão de administradores que governaram a cidade, e a dificuldade da atual administração em recuperar a cidade. O muro da vergonha expõe as entranhas de uma máquina administrativa emperrada e desregulada onde cada poder fala uma língua diferente e cuida de seu umbigo.

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O muro da vergonha mostra-nos que a palavra integração, tão propalada e cantada em verso e prosa, simplesmente, na prática, revela-se inexistente. O muro da vergonha acaba em musica. É o samba do muro doido.

Estive lá e a situação é pra lá de preocupante. Virou ponto de drogas e marginais que, aproveitando o muro existente na entrada junto à rua, assaltam livremente quem se aventura em caminhar por aquele espaço.

Abandono, mato, pichações e destruição. Um ambiente propício à marginalidade e, com o muro, a turma ganhou um espaço sossegado para curtir seus baratos e assaltar quem por ali se aventura. Tudo longe dos olhos da população e policiais. Um ambiente privativo, quase um escritório.

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Fui lá à noite também. Um breu que dá medo, piquei a mula. Socorro – grita a população de Coqueiros!  O muro da vergonha abre a discussão sobre a dificuldade do poder público em fazer manutenção, e é evidente, e não existindo uma continuidade entre os governos que se sucedem, o abandono se instala. Aliado à utilização de materiais menos resistente, eleva-se o custo em manutenção. Seria uma boa pensar na utilização de um material mais caro, mas que pelo baixo custo de manutenção seja mais vantajoso a relação custo benefício.

Muro da vergonha. Vergonha transformada em desespero, um desespero que faz uma população tomar iniciativas consideradas num primeiro momento incompreensíveis, burras, mas são armas de que dispõe quando não ouvidas ou abandonadas. E a vergonha continua lá, firme, de pé, mesmo existindo uma determinação do ministério público exigindo a derrubada. Mesmo existindo um projeto para um portal, mesmo existindo promessas de revitalização do espaço contra tudo e contra todos. É uma verdadeira vergonha a sua existência. Lembremos que os moradores em frente e ao lado sofrem grande perigo, pois ao chegarem em suas casas podem ser assaltados por bandidos que se escondem atrás do muro.

Muro da discórdia, muro placebo, muro do apelo, muro do desespero, muro da indignação, muro da verdade, verdade que expõe as mazelas de nossa política de segurança pública. Da falência do Estado e, acima disto, o cerne da questão – leis frágeis elaboradas, ou não, por deputados e senadores e governantes descompromissados. “Que caiam os muros da discórdia e que se construam pontes da concórdia “ diz o Papa Francisco. Quem sabe é uma boa ouvirmos conselhos: pontes que não serão construídas com tijolos e cimento, mas com competência, espírito de sociedade e foco no bem estar geral. Cada um fazendo seu trabalho como cidadão ou servidor público, pois nunca é demais lembrar: cidadão tem direitos e deveres e servidor, o próprio nome diz, está ali para servir ao público que paga seu salário.

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Por fim, conversei com alguns transeuntes para saber suas opiniões.

“O muro é uma verdadeira vergonha, estamos abandonados” – disse Dalton, morador desde 1970.

“O poder público tem que instalar câmeras de monitoramento e iluminação”, falou Heros, que ali está há 45 anos.

“Precisamos de segurança, nossas famílias estão a mercê dos marginais” opinou Malucelli, que ali reside desde os sete anos de idade.

“Está tudo abandonado, que se faça um portal, impeça-se a entrada de veículos com barreiras apropriadas” – declarou Junior que ali reside com sua família.

Como se vê, todos os moradores, Dalton, Heros, Malucelli, Junior são unânimes em suas declarações e aspirações. Todos exigindo atenção para seus problemas legítimos, pois pagamos impostos que recolhemos por cinco longos meses de trabalhos exclusivos à serviço da nação Brasil.

Mas enquanto a solução não aparece, seguimos fazendo poesia. O lugar, mesmo abandonado, inspira. No meio do caminho. No meio do caminho tinha um muro. Tinha um muro no meio do caminho. Tinha um muro no meio do caminho tinha um muro. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei de que no meio do caminho tinha um muro. Tinha um muro no meio do caminho no meio do caminho tinha um muro. Carlos Drummond de Andrade há de me perdoar por usar seus versos e adaptá-los por uma causa nobre: qualidade de vida.

Um abraço a todos, fiquem bem, e vamos tratar de construir pontes da concórdia em nossa Coqueiros, em nossa Florianópolis .

Dalton Malucelli Jr.

* Dalton Heros Malucelli Jr 53 anos, morador do Bairro do Bom Abrigo desde 1970, com 7 anos de idade onde estou aqui, firme. Cursei Engenharia Agronômica, tive 15 anos de lojas de calçados e há uns 10 anos atuo na construção civil. Mas, pra falar a verdade, não estou muito interessado em mostrar meu currículo, me defino como cidadão florianopolitano, morador do Bairro de Coqueiros, em Florianópolis, mais especificamente na praia do Bom Abrigo. Sou um cidadão como outro qualquer, que busca cumprir seus deveres, mas exige seus direitos. Não sou e nem pretendo ser dono da verdade, mas o que escrevo é fruto das minhas experiências, e acredito que de muitos vizinhos já que viveram uma realidade comum. A grande questão está na maneira que cada um enxerga essa realidade, e a sua visão de solução é o que muitas vezes provoca discórdias, mas, acredito, se o objetivo for o bem comum, não existem barreiras. Portanto, não espero ser unanimidade, seria pretensão demais, mas criar a discussão, chamar a atenção para certos eventos, ser um elemento ativo na busca de soluções é dever do cidadão. Abraços a todos.

Viva Coqueiros! Por inteiro.

Florianópolis, Santa Catarina.

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8 comentários em “Muro do mirante da Praia das Palmeiras. O muro da vergonha.

  1. Hilton ,realmente a coisa tá feia…ninguém se entende ,ninguém toma as rédeas..soluções técnicas viram assembléia de boteco e simples manutenções são transformadas em plebiscito….tudo com um único objetivo…. lavar as mãos …..
    Grande abraço e fique bem…sempre alerta…..

  2. Hilton, como atuante no Movimento pela Ponta do Coral 100% Pública, vejo que sempre, SEMPRE, temos que estar a postos, de olho, participando das audiências, exigindo, através de manifestações, documentos, reuniões com o prefeito (tivemos uma, em abril, depois de tanto insistir e conseguimos que ele suspendesse o decreto que ele “inventou” que permitia construir lá). Não é facil, mas se as pessoas se unem, trabalham juntos, perseverantes, com muitos argumentos, ajuda de profissionais, a gente consegue, tenho certeza, pois estou vendo isso acontecer com a Ponta, coisa que nao via (um movimento, um grupo tao forte) há muito tempo. Não adianta esperar pelas eleições, tem que agir sempre, pois o próprio Cesar Jr, por exemplo, prometeu um monte de coisa (e continua) e faz td como quer, dependendo pra onde o “vento” sopra. Se quiserem uma consultoria (digamos assim) e até troca de experiencias, convido alguns de vcs pra participarem de alguma de nossas reuniões, que se dão sempre na Escola Padre Anchieta, na Agronômica. Se houver interesse, falo com o pessoal, pra incluirem na pauta e passo pra vcs o dia.

  3. “O muro é uma verdadeira vergonha, estamos abandonados” – disse Dalton, morador desde 1970.

    “O poder público tem que instalar câmeras de monitoramento e iluminação”, falou Heros, que ali está há 45 anos.

    “Precisamos de segurança, nossas famílias estão a mercê dos marginais” opinou Malucelli, que ali reside desde os sete anos de idade.

    “Está tudo abandonado, que se faça um portal, impeça-se a entrada de veículos com barreiras apropriadas” – declarou Junior que ali reside com sua família.

    Achei curioso esse trecho onde ele diz ter conversado com diversas pessoas, sendo que nas três primeiras falas é ele mesmo e na última é seu filho.

    1. Anônimo. ?.???
      Quando se faz um texto pessoal, a metrica, o estilo e até as palavras são de escolha exclusiva do autor, tudo com o intuito de passar uma mensagem ,de expressar um pensamento….
      Se o Anônimo leitor for um bom observador como parece que é, vai notar que utilizei -me de uma figura de linguagem, uma fantasia para simular entrevistados….Os entrevistados foram Dalton , Heros, Malucelli,Junior …e meu nome é Dalton Heros Malucelli Junior…capice ??? Afinal os presentes eram eu e eu.
      Se ainda não, basta me dizer seu nome que terei o maximo prazer em explicar esses truques. Grande abraço e obrigado por seu comentário, ajuda em minha evolução pessoal…fique bem , tudo de bom.

    2. Também achei esquisito, mesmo sendo um texto poético, pois isso, aqui, nesta página, fica meio confuso. É poesia ou uma denúncia? Ou uma denúncia em forma de poesia, mas com inverdades? estou confusa também. Todo caso, minha pergunta é: “Alguém tem uma sugestão pra solucionar isso?” “Pode-se colocar este texto com uma proposta, uma instigação pras pessoas se aterem no que acontece e se mexerem pra fazer algo?”….

      1. Suzana ,para falarmos de assuntos ..qualquer tema, acho que não precisamos folha timbrada ,formulários ou reconhecer firma….o problema é real….e o que foi escrito também…. a forma é irrelevante, isto não é trabalho jornalistico,ou investigativo,nem relatório, são impressões de um cidadão e o meu objetivo é fazer as pessoas pensarem ,cuidarem do que é seu,exigirem …

        Quanto à solução o Ministério público determinou a derrubada e existe projeto para portal onde grampos impedem o acesso de veículos ,também ficou ajustado a colocação de câmeras e foi prometido pela secretaria do continente a revitalização do espaço …..Agora se eu for colocar todos os requerimentos aqui ,copias de plantas,formulários,determinações …. vai ficar difícil….e o efeito será o mesmo expor a ineficiência do poder público e suas vergonhas….
        Os documentos deixo para levar nas reuniões com as autoridades constituídas, pois se eu levar o texto acima eles vão achar meio confuso …..
        Grande abraço e muito Obrigado pela ajuda……e vamos em frente…..

  4. Sobre pontes, tb não há competência do governo, basta vermos as condições das três que cruzam o estreito entre nossas duas baías!
    Reclamar pra quem?
    Que tal irmos montando um rol de tópicos a ser apresentado pela Associação dos Moradores de Coqueiros a cada um dos candidatos às eleições de 2016.
    Optariamos por aqueles que melhor atendessem às reivindicações de nossa regiao e, no caso de eleitos, fiscalizar íamos sua atuacao+

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